Oxi

Apesar de ter sido apontada como uma nova droga pela mídia, desde a década de 1980, distante dos grandes centros brasileiros, o estado do Acre convive com a destruição produzida pelo oxi, que é mais devastadora do que o temível crack.

 Especialistas e investigadores afirmam que o oxi começou a entrar no país pela fronteira com a Bolívia, que é o terceiro produtor de cocaína do mundo, segundo dados da ONU. A droga, vendida no formato de pedra, ao valor médio de 2 reais a unidade, vem desde então se popularizando na região Norte e, agora, espalha sua chaga pelas cidades do Centro-Oeste e Sudeste.

 De que é feito o oxi?

 O oxi é uma mistura da pasta base de cocaína, fabricada a partir das folhas de coca, com substâncias químicas de fácil acesso, como querosene, gasolina, cal virgem ou solvente usado em construções.

 A fabricação da pasta base de cocaína – da qual também são feitos a cocaína em pó, o crack e a merla – também é feita utilizando uma substância alcalina e um solvente para extrair uma maior quantidade do princípio ativo da planta, responsável pelo efeito principal da droga no sistema nervoso.

 Para se transformar em oxi, a pasta recebe novamente uma quantidade de solvente e alcalino. Só que, desta vez, são produtos como o querosene e o cal, ainda mais tóxicos do que o bicarbonato de sódio, o amoníaco e a acetona, usados para fazer o crack e na cocaína em pó.

 A droga pode ser misturada ao cigarro comum e ao cigarro de maconha, mas, geralmente, é fumada em cachimbos de fabricação caseira, como o crack.

 O oxi libera uma fumaça escura ao ser consumido e costuma deixar um resíduo marrom, semelhante ao efeito da ferrugem em metais, por isso a droga recebeu o nome de oxi, uma abreviação de “oxidado”.

 Quais são os efeitos do oxi no organismo?

 A droga age no sistema nervoso, proporcionando sensações variadas, que podem ir de prazer e alívio a angústia e paranóia a dependendo da pessoa.

 O oxi faz efeito entre sete e nove segundos a partir do momento em que é inalado, e uma vez no organismo, a combinação de substâncias do oxi pode causar lesões sérias da boca até os rins.

 Na boca, o querosene ou gasolina combinados com o calor provocam ferimentos nos lábios e na mucosa bucal, danificam as papilas gustativas da língua – células responsáveis pelo reconhecimento de sabores -, causam ferimentos no esôfago e corroem os dentes.

 O cal virgem na droga pode provocar fibrose pulmonar, que prejudica a captação de ar pelo pulmão.

 Os químicos adicionados à droga vão para o fígado, que é o órgão responsável por metabolizá-las. No entanto, a droga sobrecarrega o fígado e compromete suas funções, como a distribuição de açúcar no organismo.

 Por causa disso, o uso prolongado do oxi aumenta as chances de doenças como cirrose hepática e o acúmulo de gordura no órgão.

 Muitas pessoas também misturam o oxi com o álcool, o que é ainda pior. A mistura forma uma substância chamada coca etileno, que é altamente tóxica para o fígado. Por isso, é possível encontrar usuários com lesões sérias no fígado em pouco tempo.

 Quem consome oxi também está sujeito a falhas nos rins, que também ficam sobrecarregados pela alta quantidade de toxinas resultantes da combinação química da droga.

 A dificuldade dos rins em eliminar as toxinas faz com que elas permaneçam circulando no sangue, causando náuseas, diarréia e problemas gastrointestinais.

 Além disso, o usuário também está vulnerável aos problemas causados pelo princípio ativo da cocaína, como o risco de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

 Qual a diferença entre oxi e crack?

 A principal diferença entre o oxi e o crack no mercado das drogas é o preço.

 O oxi é vendido por cerca de R$ 2 a R$ 5 nas ruas enquanto as pedras de crack podem chegar a custar R$ 10.

 O oxi é mais barato justamente porque é feito com produtos químicos que podem ser conseguidos sem fiscalização e a preços baixos. Também por causa da utilização destas substâncias químicas, ele é mais prejudicial ao organismo do que o crack.

 No entanto, especialistas dizem que o efeito psicológico das duas drogas é muito semelhante, já que ambas tem o mesmo princípio ativo, que é a pasta de cocaína.

 Tanto o crack como o oxi podem viciar os usuários mais rapidamente do que a cocaína em pó, porque chegam mais rapidamente ao cérebro.

 A cocaína absorvida em pó pelo nariz tem que passar pelo sangue até chegar ao cérebro. Por isso, ela demora mais para fazer efeitos do que crack e oxi, que são inalados e vão do pulmão diretamente para o cérebro em questão de segundos.

 Porém, uma vez no organismo, o oxi é mais letal do que o crack, por causa do alto nível de toxicidade das substâncias de que é composto.

 A toxicidade do oxi encurta a vida do usuário em 20% em relação ao crack. Os usuários de crack vivem pelo menos 5 a 6 anos, mas 30% dos usuários de oxi poderão estar mortos depois de um ano.

 Vício

O oxi vicia mais rapidamente que o crack porque o efeito é mais forte, porém passa muito mais rápido. Conseqüentemente, o corpo começa a pedir a droga novamente com mais freqüência, assim o usuário precisa consumir mais, levando – o a roubar e a vender seus objetos pessoais, alguns chegando até a trocar as roupas que vestia por uma pedra.

 Tratamento

 A dependência pode ser detida. Não há nada de vergonhoso em ser um dependente, desde que este tome consciência de sua situação, deixe de justificar seu comportamento, se preocupe com o seu bem-estar e comece a agir positivamente.

 A recuperação é uma tarefa difícil e o tratamento médico é apenas uma parte desta recuperação. A participação dos pais e a união da família são os maiores fatores de combate ao tóxico, assim como a degradação da família é uma das causas do aumento do número de usuários.

 A terapia ocupacional. Deve-se descobrir o que o dependente de drogas gosta de fazer (habilidades manuais, fotografia, dança, esportes…). Com estas ocupações surgirão em sua vida outros interesses e outras formas de realização que o ajudarão a recuperar a auto-estima perdida.

 Desenvolver as forças interiores. São as qualidades positivas que todos nós possuímos, e que, no caso dos dependentes, ajudam na recuperação. Esse trabalho deve ser feito com acompanhamento de psicólogos e educadores.

 A violência não recupera ninguém. Devemos evitar de rotular os dependentes de drogas com frases como: Uma vez viciado, sempre viciado. Contudo, a experiência mostra que quanto maior for o tempo do vício, mais difícil é a recuperação.

 Diga não as drogas !

Se alguém lhe oferecer algum tóxico, demonstre ser mais homem do que eu fui. Não se deixe tentar, por nenhuma razão, e saiba responder com um “não”.

Talvez você encontre “amigos” que lhe ofereçam gratuitamente um pouco da “coisa” para depois, sucessivamente, fazer você pagar por ela. No princípio o preço é reduzido, mas quando perceberem que você se tornou viciado, aumentarão os preços. Não esqueça que a mesma pessoa que lhe vendeu a maconha, terá, em reserva para você, também a heroína.

E tudo isso, por quê? Não certamente pela sua felicidade, mas para obter dinheiro.

A droga pode oferecer momentos de felicidade, mas a cada um destes momentos corresponde um século de desespero que jamais poderá ser apagado. A droga destruiu todos os meus sonhos de amor, as minhas ambições e a minha vida no seio da família.”

Percy Partrick

 

2 Respostas para “Oxi

  1. Muito legal gostei, tu tirou a no meu trabalho!

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