Aterosclerose

“Existem vários contos e livros que mostram como o verdadeiro poder não se encontra no trono, mas por trás dele. Desde poderosos imperadores até generais, presidentes e pensadores importantes na história da humanidade, todos sofreram influências de pessoas que terminaram não aparecendo nos livros, mas foram fundamentais para que aquela determinada conquista se tornasse possível.

No caso das notícias de celebridades fulminadas por ataques cardíacos ou derrames, a verdadeira manchete encontra-se escondida por trás dos holofotes e atende pelo nome de Aterosclerose.” Dr. Alessandro Loiola

A aterosclerose é uma doença crônico-degenerativa, ou seja, que surge através de uma evolução lenta e progressiva, ela leva à obstrução das artérias pelo acúmulo de lipídeos, principalmente colesterol, em suas paredes.

A aterosclerose pode causar danos a órgãos importantes ou até mesmo levar à morte. Ela pode afetar às artérias do cérebro, do coração, dos rins, de outros órgãos vitais e dos braços e das pernas. Quando a aterosclerose se desenvolve nas artérias que alimentam o cérebro (artérias carótidas), pode produzir-se um icto, que também é denominado de AVC (acidente vascular cerebral). Quando ela se desenvolve nas artérias que alimentam o coração (artérias coronárias), pode ocorrer-se um enfarte do miocárdio. Em ambos os casos ela pode ser fatal já que o coração e o cérebro são órgãos que resistem apenas poucos minutos sem oxigênio.

Na maioria dos países ocidentais, a aterosclerose é a doença mais frequente e a causa principal de morte, representando o dobro das mortes por cancro (tumores malignos). E mesmo apesar dos avanços médicos significativos, a doença das artérias coronárias e o icto aterosclerótico são responsáveis por mais mortes do que todas as outras causas juntas.

Causas

A aterosclerose é causada pelo acúmulo de lipídeos nas artérias, que podem ser fabricados pelo próprio organismo ou adquiridos através dos alimentos. Ela começa quando monócitos migram da corrente sangüínea para o interior da parede da artéria e transformam-se em células que acumulam gorduras, principalmente colesterol. Com o tempo elas se acumulam e se distribuem irregularmente pelo interior da artéria formando as placas ateroscleróticas ou ateromas, que além de conter colesterol, contêm também células musculares lisas e células de tecido conjuntivo. Os ateromas podem localizar-se em qualquer artéria de tamanho grande e médio, mas geralmente formam-se onde as artérias se ramificam, pois a turbulência constante destas zonas lesa a parede arterial favorecendo a formação desses.

As artérias afetadas pela aterosclerose perdem elasticidade e, à medida que essas placas de gordura crescem, as artérias estreitam-se.

Eventualmente essas placas podem se romper, então, ao haver o contato das substâncias do interior da placa com o sangue, ocorre a imediata coagulação do sangue e, como conseqüência, a estreitação maior da artéria ou até a obstrução total e súbita do vaso.

Sintomas e consequências

 

A aterosclerose pode evoluir sem qualquer sintoma ao longo de várias décadas, na medida em que as manifestações e complicações mais importantes apenas se costumam produzir quando as placas de ateroma já alcançaram um determinado volume, causando um estreitamento grave ou obstrução de uma ou mais artérias. À medida que a aterosclerose estreita a artéria, o órgão afetado pode deixar de receber sangue suficiente para oxigenar os seus tecidos, portanto, suas manifestações e complicações dependem da localização das artérias afetadas.

 O primeiro sintoma do estreitamento de uma artéria pode ser uma dor ou uma cãibra nos momentos em que o fluxo de sangue é insuficiente para satisfazer as necessidades de oxigênio. Outros sintomas podem ser dor no peito (angina), devido à falta de oxigênio no coração e diminuição da tolerância aos exercícios (cansaço fácil).

Na circulação cerebral incluem-se problemas de raciocínio e de memória, dormências e fraquezas musculares localizadas ou até mesmo derrame. Nas pernas, podem ser observados dores nos músculos da panturrilha, cicatrização difícil, diminuição dos pulsos e alteração na coloração do local afetado.

No entanto, a obstrução arterial pode acontecer de forma brusca, quando a turbulência do fluxo de sangue é tão grande que, ao coligir contra a placa de ateroma, provoca a sua fragmentação, libertando-se um ou mais êmbolos que entram na circulação, o que poderá dar origem a uma obstrução de um ou mais vasos de menor diâmetro. Este fenômeno, denominado tromboembolismo, é a causa de muitos casos de enfarte do miocárdio e de acidentes vasculares cerebrais, uma das complicações mais temíveis da aterosclerose avançada. Outra complicação frequente e grave da aterosclerose é a embolia, que ocorre quando um pedaço da própria placa de ateroma, muito pequeno, é libertado e arrastado pela corrente sanguínea até parar num vaso de menor calibre e o obstruir. Embora a embolia tenha conseqüências semelhantes às da trombose, ela diferencia-se desta porque pode afetar artérias e tecidos bastante afastados dos que contêm o ateroma. Há também uma complicação da aterosclerose que ocorre quando uma placa de ateroma, durante o seu crescimento, consegue infiltrar-se entre duas camadas da parede arterial, criando um espaço entre elas, o que se conhece como dissecção. Neste caso, a parede arterial torna-se muito mais frágil do que o normal e pode romper-se com relativa facilidade, o que é uma das complicações mais graves da aterosclerose avançada da aorta abdominal.

Fatores de risco

Estudos identificaram que certos indivíduos têm maior propensão ao desenvolvimento dessa doença. São aqueles que apresentam os chamados fatores de risco para aterosclerose. Tais fatores estão especificados abaixo.

• Idade: na maioria dos casos, as placas de ateroma já estão bem constituídas e podem provocar repercussões nas pessoas com mais de 50 anos de idade.

• Sexo: a aterosclerose é três vezes mais frequente nos homens do que nas mulheres, porém após a menopausa, o risco se iguala.

• Predisposição genética: a incidência de aterosclerose é muito mais elevada em algumas famílias do que na população em geral.

• Tabagismo: o fumo do tabaco contém várias substâncias, como a nicotina e o monóxido de carbono, que têm um efeito nocivo sobre a parede arterial. O risco de aterosclerose é diretamente proporcional à quantidade de cigarros fumados por dia.

• Hipertensão arterial: a aterosclerose é duas vezes mais frequente nas pessoas hipertensas do que na população em geral, devido ao fato de o sangue formar turbulências que provocam lesões microscópicas na parede arterial, ao circular com mais força do que o normal, e esses locais lesionados são propícios para a formação das placas ateroscleróticas.

• Hipercolesterolemia: o aumento dos níveis de colesterol no sangue favorece a sua deposição, na túnica íntima das artérias, favorecendo o desenvolvimento de placas de ateroma.

• Diabetes: nas pessoas diabéticas, que não cumpram o tratamento adequado, o risco de sofrer de aterosclerose é dez vezes superior ao do resto da população.

• Obesidade, sedentarismo e stress: estes três fatores favorecem o desenvolvimento de aterosclerose, sobretudo quando se apresentam em conjunto, o que é frequente.

• Utilização de contraceptivos orais: o consumo prolongado de pílulas contraceptivas que contêm estrógenos favorece o depósito de gorduras na túnica íntima das artérias.

Prevenção

O primeiro passo deve começar pela boca, afinal, corpo nenhum merece ser tratado como um depósito de gordura. É orientado que se siga uma dieta saudável baseada em frutas e verduras, e pobre em produtos industrializados e açúcar.

Alimentos ricos em substâncias chamadas bioflavonóides exercem um bom efeito protetor contra a aterosclerose. As principais fontes de bioflavonóides incluem abricó, frutas cítricas, cebola, legumes, chá verde e vinho tinto. Fontes de vitamina C e E, como a acerola, a alface, a couve e o espinafre, também produzem benefícios, retardando o desenvolvimento das placas ateroscleróticas.

Os níveis sanguíneos elevados de colesterol estão diretamente associados à aterosclerose, mas podem ser reduzidos aumentando-se o consumo de alcachofra, alho, aveia, cebola, linhaça e soja. Outras recomendações estão descritas abaixo.

Praticar uma atividade física regularmente. A meta deve ser exercitar-se por 40 minutos à 1 hora, quatro ou mais vezes por semana.

• Manter-se dentro da faixa de peso considerada ideal para sua altura.

• Consumir bebidas alcoólicas com moderação. Isso significa 1 drinque por dia para mulheres e no máximo 2 drinques por dia para homens.

• Não fumar e evitar ser um fumante passivo.

• Fazer consultas periódicas, dosando os níveis sangüíneos de colesterol pelo menos uma vez ao ano e meça sua pressão arterial regularmente.

• Levar a vida com mais bom humor e aprender a controlar melhor o estresse.

 Tratamento

A aterosclerose não tem um tratamento curativo, pois as placas de ateroma depois de formadas já não podem ser dissolvidas. Assim sendo, o mais importante é a sua prevenção, a qual consiste em controlar ou eliminar os fatores de risco.

Em alguns casos, é possível utilizar alguns medicamentos, com o objetivo de limitar as repercussões da doença, como os vasodilatadores que atuam alongando as fibras musculares dos vasos, aumentando seu calibre.

Uma outra alternativa é a realização de determinadas intervenções cirúrgicas com vista a reparar as artérias lesionadas e a restabelecer o normal fluxo sanguíneo. Há dois exemplos abaixo:

 Angioplastia: Geralmente é executada com anestesia local. Para executar este procedimento, o cirurgião vascular insere um cateter por um pequeno furo em cima de uma artéria de virilha e guia o mesmo por seus vasos sanguíneos até a artéria que se quer desobstruir. O cateter leva um balão minúsculo que é insuflado enquanto empurra as placas de ateroma contra as paredes da artéria. Logo, o médico põe um tubo de metal minúsculo chamado stent na artéria para mantê-la aberta.  

 

 Ponte de safena:Utiliza-se da veia safena da perna que é posta de modo que se faça uma ponte entre a aorta e a coronária, é indicada quando há a obstrução de alguma das artérias coronárias. A veia safena é cirurgicamente removida da perna. O enxerto da veia é então costurado desde a aorta até a artéria coronária abaixo do local de bloqueio. O sangue rico em oxigênio flui da aorta, ao longo do enxerto da veia safena, e passa pelo local de bloqueio até à artéria coronária para nutrir o músculo cardíaco.

4 Respostas para “Aterosclerose

  1. Muito bom esse material!Obrigada

  2. Adorei. descobrir tudo que precisava vlw.

  3. adorei me ajudou mt obrigada

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