Apendicite

Uma das doenças mais comuns do sistema digestório, é a apendicite. Apendicite é o nome que se dá a inflamação do apêndice.

O apêndice normalmente produz um volume constante de muco que é drenado para o ceco e se mistura nas fezes. O seu grande problema é ser um tubo sem saída, qualquer obstrução faz com que esse muco se acumule o que causa dilatação do apêndice. Existem várias causas para obstrução do apêndice. Em jovens é comum ocorrer um aumento dos tecidos linfáticos que revestem a parede interna do apêndice, em resposta a uma infecção viral ou bacteriana; como o diâmetro interno do apêndice tem menos de 1 cm, qualquer aumento na sua parede pode obstruir a saída. Já em idosos, o mais comum é a obstrução por fecalitos, que são pedaços ressequidos de fezes. Também existe a possibilidade de obstrução por neoplasia, aumento exagerado e sem controle de células, ou por vermes intestinais.

 Conforme o órgão vai ficando maior, começa a haver compressão dos vasos sanguíneos e morte dos tecidos de sua parede, que é chamada de necrose. O processo pode evoluir até o rompimento do apêndice, chegando a temida apendicite supurada.

 Quando o apêndice fica obstruído e inflamado, as inúmeras bactérias presentes no intestino conseguem invadir a sua parede e alcançar a corrente sanguínea e o peritônio, membrana que recobre todo o trato intestinal. Esse processo é chamado de translocação bacteriana, em que ocorre a passagem de bactérias do intestino para a circulação sanguínea.

Sintomas da apendicite

 O ceco e o apêndice ficam na parte inferior do lado direito do abdômen, e, por isso, uma apendicite se apresenta tipicamente como uma dor nesta região. O problema é que em fases iniciais, quando há apenas a distensão do apêndice, ainda sem intensa inflamação ao seu redor, os sintomas podem ser muito vagos e não necessariamente localizados nesta área.

No começo a dor normalmente se concentra na região do estômago ou em volta do umbigo. Como o apêndice tem poucos nervos, sua inflamação é mal percebida pelo cérebro. Somente quando o peritônio, rico em terminações nervosas, fica inflamado, é que o cérebro consegue identificar mais precisamente a região afetada. Em quadro típico a dor se inicia ao redor do umbigo e, com aumento de sua intensidade, se dirige para onde está localizado o apêndice.

Nas fases mais avançadas da apendicite, náuseas, vômitos e febre são os sintomas mais comuns. Podendo haver diarréia ou prisão de ventre.

A apendicite pode evoluir com necrose, perfuração, abscessos, peritonite generalizada e até sepse (ver tabela do post anterior). Nesses casos graves, o doente sente dor com estímulos simples como pisar no chão ou mudar de posição.

 A apendicite pode ocorrer em qualquer idade, entretanto é mais comum em adolescentes e adultos jovens.

Diagnóstico da apendicite

Como em qualquer doença, o diagnóstico começa pela avaliação dos sinais e sintomas.

Durante a fase inicial da doença, podem não aparecer sinais claros de apendicite, já que a dor mais perceptível aparece nos estágios mais avançados da doença, quando há inflamações nos órgãos ao redor do apêndice.

Conforme a inflamação progride, torna-se fácil detectar uma intensa dor parte inferior do lado direito do abdômen. Quando há peritonite, o paciente sente muita dor durante o exame físico quando o abdômen é apertado com uma das mãos.

Os exames laboratoriais também são úteis, já que pacientes com peritonite costumam apresentar um número elevado de leucócitos no hemograma (leucocitose).

 Porém, uma suspeita clínica/laboratorial de um peritônio inflamado não é suficiente para fecharmos o diagnóstico da apendicite, uma vez que existem várias causas para peritonite.

Casos típicos de apendicite podem ser diagnosticados sem maiores dificuldades, mas atualmente é muito comum, e fácil, solicitar exames de imagem para confirmação do diagnóstico. Os dois exames mais solicitados são a ultrassonografia e a tomografia computadorizada, sendo esta última, a mais indicada em casos duvidosos ou com suspeitas de complicações.

Apendicite crônica

Alguns pacientes apresentam quadro de obstrução do apêndice, com desobstrução quando a pressão fica elevada. Trata-se de um apêndice que inflama e desinflama repetidamente. É um quadro de dor abdominal repetida, que pode ser difícil diagnosticar.

Tratamento da apendicite

O tratamento da apendicite é cirúrgico, que é realizado sob anestesia geral. A operação é feita com incisão cirúrgica no abdômen inferior direito e retira-se o órgão enfermo. Ao haver também abscesso, faz-se drenagem. Atualmente, cada vez mais a cirurgia é realizada por laparoscopia onde o procedimento operatório é o mesmo, com a diferença de que ela é minimamente invasiva, ou seja, se utiliza de pequenas incisões entre 0,5 e 1,0 cm e não há a introdução das mãos na cavidade, os órgãos são manuseados do exterior, com pequenas pinças, tesouras ou bisturis, tudo visto numa tela de vídeo, com imagens bastante precisas.

 A via laparoscópica é mais utilizada em pessoas obesas, idosos ou quando o diagnóstico ainda não é 100% certo na hora da cirurgia.

A cirurgia é imediatamente indicada naqueles casos com menos de 3 dias de evolução. Nos casos onde o paciente demora a procurar atendimento, a inflamação pode estar tão grande que dificulta a ação do cirurgião, aumentando o risco de complicações.

 Nestes casos, se a tomografia computadorizada demonstrar presença de muita inflamação ao redor do apêndice, com formação de abscesso, ele indica uma infecção grave com sinais de sepse. Pode ser preferível tratar a infecção com antibióticos por algumas semanas antes de levá-lo para cirurgia.

 A permanência hospitalar em apendicite aguda não complicada costuma ser curta, de um a três dias. Quando há abscesso a internação hospitalar será mais prolongada para a administração dos antibióticos endovenosos. Na eventualidade de peritonite difusa, felizmente rara, o tratamento será bem mais complexo, podendo haver risco de vida e permanência hospitalar bem mais prolongada, inclusive em Unidades de Tratamento Intensivo.

 Existem várias doenças que podem ser confundidas com a apendicite aguda, algumas delas são de tratamento cirúrgico (ex.: úlcera perfurada) e outras de tratamento clínico (ex.: pielonefrite). Por isso é importante que se tenha um diagnóstico preciso. Algumas dessas doenças estão citadas no quadro abaixo:

Se você quiser se informar mais sobre a apendicite, clique abaixo e ouça a explicação do Dr. Dráuzio Varella no programa Minuto Saúde, na rádio Estação Saúde.

Dr. Drauzio Varella – Estação Saúde

2 Respostas para “Apendicite

  1. Esse site é muito importante!!!

  2. Prof. Manuella

    Muito bom meninas! Vcs estão no caminho certo! Só faltou citar a fonte de pesquisa. Bjs

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s